Ouve-se dizer que o ar começa a faltar. O estômago embrulha-se num nó difícil de desatar e as noites passam em pensamentos que correm velozes como um comboio. Não interessa se lá fora o sol derrota as nuvens e impõe a sua vontade. Nem interessa se ainda se deseja beber chá de mil e um aromas, enquanto já se observam pequenas flores amarelas a surgirem nos campos. Não se espera nada de ninguém, o pior é que nem mesmo de nós próprios. Perdem-se os dias a observar os barcos que passam no rio, enquanto o corpo se mantém rígido à pressão do abandono. Não importa chegar a casa e sermos brindados com a ternura e a inocência de um sorriso. A alma aquece tão pouco nestes momentos que, assim que a imagem se desvanece, tudo volta a ser gélido e indiferente. É como ser um morto-vivo. Apenas existe espaço para um sufoco infindável e um desejo de ser apenas morto. Pelo menos, não desta forma. Quando o nosso espírito se torna tão ténue que surge a dúvida de quem somos. Se algum dia fomos alguém. E, se no fundo, poderemos renascer depois deste tormento. Para novamente reter a emoção de uma vida e de uma Primavera que já toca na pele suavemente.
(Eu acredito que as tuas mãos vão ter novamente o cheiro a jasmin tocado no início das manhãs)
[Imagem de Thaib Chaidar]
(Eu acredito que as tuas mãos vão ter novamente o cheiro a jasmin tocado no início das manhãs)
[Imagem de Thaib Chaidar]





